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OUÇA: Concessões de rodovias geram preocupação no Oeste, mas elevado do Trevão do Irani avança


Presidente do SETCOM critica modelo apressado e destaca que obra histórica está próxima de ocorrer.

Por Rafael Martini
07/04/2026 às 08h35 | Atualizada em 07/04/2026 - 08h45
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Os investimentos e projetos de concessão das rodovias federais que cortam o Oeste de Santa Catarina, especialmente as BRs 282 e 153, voltaram ao centro do debate regional. Durante entrevista ao programa Visão Geral da Rádio Rural, na manhã desta terça-feira (7), o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas do Oeste e Meio-Oeste Catarinense (SETCOM) e diretor da ACIC, Paulo Simioni, avaliou o cenário com cautela e fez críticas ao modelo apresentado.

Segundo Simioni, o pacote de concessões que inclui rodovias da região prevê cerca de R$ 9,2 bilhões em investimentos, dentro de uma tendência nacional de transferir a gestão de estradas à iniciativa privada. No entanto, ele alerta que o processo está sendo conduzido de forma acelerada e sem a devida participação das entidades representativas.

“O edital nos parece muito apressado, sem espaço para que empresas e usuários possam contribuir com sugestões. É preciso ouvir quem realmente utiliza essas rodovias”, destacou.

De acordo com o presidente do SETCOM, o projeto prevê a concessão de aproximadamente 700 quilômetros de rodovias em Santa Catarina, mas com apenas cerca de 70 quilômetros de duplicação — o que representa em torno de 10% do total. Para ele, o número é insuficiente diante da realidade atual.

“Hoje já temos trechos colapsados, especialmente na BR-282, entre Chapecó e Irani. É uma rodovia que precisa urgentemente de duplicação. Não adianta fazer uma concessão de 25 anos com tão pouca ampliação de capacidade”, criticou.

Simioni afirmou ainda que o setor pretende buscar diálogo para tentar ampliar os investimentos previstos, incluindo mais duplicações e terceiras faixas, além de um possível alongamento no prazo de discussão do edital. Ele também levantou preocupação com o momento em que o projeto está sendo apresentado.

“A impressão é de que está sendo feito a toque de caixa, até por conta do período eleitoral. Mas o setor entende que precisa ser algo estruturado, que realmente resolva os problemas de fluxo e segurança”, pontuou.

Elevado do Trevão do Irani 

Apesar das críticas ao modelo de concessão, um ponto específico trouxe otimismo durante a entrevista: o projeto do elevado no chamado Trevão do Irani, no entroncamento das BRs 282 e 153.
Segundo Simioni, a obra histórica, aguardada há anos pela região, nunca esteve tão próxima de sair do papel.

“Esse projeto foi pensado de forma isolada e estruturada justamente para viabilizar sua execução. Hoje, a gente pode dizer que nunca esteve tão perto de acontecer. É um sonho antigo que pode finalmente se tornar realidade”, afirmou.

O dirigente destacou que o elevado é considerado estratégico para melhorar a fluidez e a segurança no entroncamento, um dos pontos mais críticos da malha rodoviária catarinense. Além disso, a obra deve se integrar futuramente às concessões previstas.

Paralelamente, seguem as tratativas para melhorias na BR-153, especialmente na região de Concórdia, com estudos para implantação de vias marginais. A proposta, segundo Simioni, já está sendo discutida com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), inclusive com possibilidade de soluções provisórias até a execução definitiva das obras.

“O trabalho continua. Estamos buscando recursos e alternativas, mas o elevado do Irani, junto com melhorias na BR-153 e BR-282, é prioridade. E agora, mais do que nunca, existe uma chance real de isso acontecer”, concluiu.

A expectativa do setor é de que, com diálogo e ajustes nos projetos, os investimentos previstos possam de fato atender às demandas históricas da região, garantindo mais segurança e eficiência para o transporte no Oeste catarinense.
 


Confira o áudio:





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