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Especial

E TROCA A PLACA


Um projeto de lei quer recolocar nomes de estado e município nas placas dos veículos.

Por Rafael Martini
25/04/2026 às 05h00
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O amigo leitor há de perceber que a criatividade tributária nunca entra em crise, surge sempre uma ideia luminosa, mesmo que por vezes indiretamente como nesse caso. Pois veja, temos hoje uma frota de 132,8 milhões de veículos, multiplique isso por modestos 200 reais e aí está um belo montante bilionário pronto para irrigar os cofres públicos e com a delicadeza de quem chama custo de “adequação”. O cidadão que já paga IPVA, licenciamento, combustível inflado e pedágio com gosto de imposto agora ganha o privilégio de financiar mais uma rodada de padronização… ou seria de improvisação institucional?

A placa Mercosul que usamos nos veículos, vendida como símbolo de integração regional e avanço em segurança, mal teve tempo de virar rotina e já entra na fila das decisões revistas. Afinal, o que antes era moderno hoje parece insuficiente e o detalhe curioso: a retirada da identificação de município e estado, tratada como irrelevante no passado recente, ressurge agora como essencial. Ou seja, não era importante até que, de repente, passou a ser. Não por evolução técnica clara, mas por que alguém que lá atrás decidiu de uma forma, agora decide que deve ser assim. 

Enquanto isso, o cidadão segue como figurante de luxo nesse teatro burocrático. Não há debate transparente, estudo de impacto amplamente divulgado ou qualquer esforço convincente de justificar o custo coletivo. A conta simplesmente aparece. E como sempre, parcelada na paciência do contribuinte, que já entendeu que, no Brasil, mudanças ditas necessárias costumam ter um curioso efeito colateral, arrecadar primeiro, explicar depois — quando explicam.

No fim das contas, a pergunta que fica não é sobre placas, mas sobre prioridades. Em um país com gargalos reais em segurança, rodovias em estado lastimável, infraestrutura e mobilidade caóticas, a energia institucional parece direcionada para resolver aquilo que nunca foi exatamente um problema. E assim seguimos trocando placas, trocando discursos e, principalmente, trocando dinheiro do bolso da população por decisões que parecem mais um jogo de tentativa e erro — só que com um detalhe importante: a troca nunca sai barato para quem paga.


Fonte: LAERCIO GRIGOLLO - CONSULTORIA EMPRESARIAL




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