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CONDENADOS...


Reprovação da Câmara, Senado e Supremo é alta.

Por Rafael Martini
06/06/2026 às 05h00
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Pois meu amigo leitor, o brasileiro já não sabe mais se assiste ao funcionamento de uma democracia ou ao expediente comercial de uma grande organização de interesses instalada em Brasília. O Congresso virou uma espécie de feira livre de consciências: troca-se apoio por cargos, silêncio por verbas, fidelidade por conveniência. Ideologia? Princípio? Compromisso com o povo? Isso ficou para os discursos ensaiados diante das câmeras. Nos bastidores, o que vale mesmo é o tamanho do lote, da emenda e da vantagem pessoal. Nossa atual geração pública de legisladores, executivos e judiciários é a pior da história e olha que o histórico dessa turma nunca foi lá tão memorável.

Mas o retrato é cruel porque já não se trata apenas de divergência ideológica ou disputa democrática. E o mais assustador é perceber que boa parte dessa engrenagem é movida por personagens que jamais sobreviveriam numa iniciativa privada séria. Falta caráter, sobra oportunismo. Falta compromisso, sobra vaidade. Muitos não representam o povo; representam grupos, interesses, padrinhos e alianças subterrâneas. Transformaram a política numa carreira onde o talento principal não é governar, mas negociar privilégios sem sentir vergonha. Brasília virou um grande condomínio de conveniências onde quase ninguém quer resolver o país — querem apenas permanecer dentro do sistema que os alimenta.

Enquanto isso, o cidadão comum olha para o Judiciário e já não encontra segurança, equilíbrio ou previsibilidade. Encontra tensão, ativismo, seletividade e decisões que mudam conforme o clima político do momento. A Justiça, que deveria servir de âncora moral da República, começa a ser percebida como parte da disputa. E quando o povo passa a desconfiar simultaneamente do Congresso, do Executivo e do Judiciário, acende-se a luz vermelha da degradação institucional. Porque nenhuma nação resiste por muito tempo quando suas instituições passam a servir mais a grupos de poder do que à própria sociedade.

Ó pátria amada… nos salve, nos salve dessa quadrilha que tomou conta dos pilares da República, nos salve dos patriotas de ocasião, dos defensores da democracia que negociam nos corredores obscuros, dos justiceiros seletivos e dos vendedores de ilusões embaladas em discursos bonitos. O brasileiro acorda cedo, paga impostos, enfrenta fila, violência, abandono… enquanto em Brasília muitos seguem jogando poker com o destino da nação. E talvez a maior tragédia seja essa: o país já não está apenas cansado da corrupção. Está cansado do descaso, da falta de vergonha. O problema do Brasil já não é apenas econômico ou administrativo. O problema é ético e essa crise é a mais perigosa de todas.


Fonte: LAERCIO GRIGOLLO - CONSULTORIA EMPRESARIAL




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