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DE ENCHER OS OLHOS


Os fascinantes exemplos que algumas nações nos dão: disciplina, humildade e superação.

Por Rafael Martini
27/06/2026 às 05h00
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Durante muito tempo, o Brasil carregou no futebol algo que o diferenciava do resto do mundo: talento, genialidade, improviso e a capacidade quase sobrenatural de transformar um esporte em arte. Fomos admirados, temidos e respeitados. O planeta parava para ver a seleção brasileira jogar. Vestir a camisa amarela era carregar um símbolo de excelência. Mas o tempo passou, e junto com ele foi embora aquilo que nos tornava especiais. Perdemos o futebol. Perdemos a identidade. Perdemos o respeito.

Hoje, quando o mundo se reúne em uma Copa do Mundo, já não somos referência em técnica, em disciplina ou em resultado. E o mais doloroso talvez nem seja a queda dentro de campo, mas perceber que também não temos nada relevante a ensinar fora dele. Enquanto a seleção do Japão e sua torcida dão ao planeta uma aula de educação, respeito e civilidade, deixando vestiários e arquibancadas impecavelmente limpos, seguimos presos a uma cultura onde muitos ainda confundem esperteza com vantagem e desordem com liberdade.

Enquanto isso, países como a Noruega mostram algo ainda mais raro em tempos modernos: união, tradição, humildade e disciplina. Não há arrogância, não há estrelismo barato, não há a necessidade infantil de parecer maior do que se é. Há trabalho, respeito e coletividade. Da mesma forma, seleções africanas têm emocionado o mundo com exemplos de superação, dignidade e fair play, provando que grandeza não nasce apenas da estrutura, mas do caráter. Em muitos desses países há menos dinheiro, menos recursos e mais dificuldades — mas sobra aquilo que parece faltar por aqui: espírito.

A verdade é dura, mas precisa ser dita. O Brasil perdeu a única coisa que ainda o fazia se destacar verdadeiramente no cenário mundial. Já fomos os melhores, os bons de bola. Hoje, não somos mais. E o pior: também não nos tornamos exemplo de educação, disciplina, organização ou civilidade. Perdemos nosso maior patrimônio esportivo sem construir absolutamente nada no lugar. É um retrato cruel de um país que, pouco a pouco, foi deixando de ser referência em qualquer coisa que realmente importe.


Fonte: LAERCIO GRIGOLLO - CONSULTORIA EMPRESARIAL




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