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OUÇA: EL NIÑO já está em plena atividade e deve intensificar chuvas no SUL, alerta Ronaldo Coutinho
Fenômeno atua desde maio, apresenta forte intensidade e pode provocar eventos climáticos severos.
Segundo Coutinho, os efeitos do fenômeno começaram a ser observados ainda em meados de maio, inicialmente sobre áreas do norte do Paraná, Mato Grosso e São Paulo. Ele explica que este El Niño possui características diferenciadas devido às temperaturas mais baixas registradas na região da Foz do Rio da Prata, fator que influencia diretamente a circulação atmosférica sobre a América do Sul.
“Esse El Niño tem uma configuração diferente. As águas mais frias na região da Foz do Prata alteram a posição das áreas de baixa pressão e deslocam a corrente de jato para latitudes mais altas, modificando o padrão das chuvas em diversas regiões do país”, destacou.
De acordo com o meteorologista, a influência do fenômeno provocou volumes de chuva muito acima do esperado em estados como Mato Grosso, sul de Goiás, Minas Gerais, São Paulo e norte do Paraná. Em algumas localidades, onde a média histórica para o período variava entre 20 e 30 milímetros, os acumulados chegaram a registrar entre 150 e 180 milímetros.
Coutinho observa que, neste momento, houve uma redução das precipitações nessas áreas em razão do deslocamento da corrente de jato. Já no Rio Grande do Sul, o excesso de chuva resulta tanto da variabilidade natural do inverno quanto da atuação do El Niño, que favorece a formação de instabilidades atmosféricas.
Outro fator que chama a atenção é a intensidade do fenômeno. Conforme o especialista, os índices atmosféricos já indicam um estágio avançado de desenvolvimento. O Índice de Oscilação Sul (SOI), utilizado para monitorar o comportamento do El Niño e da La Niña, apresenta valores entre -18 e -19, números compatíveis com um cenário de El Niño muito forte.
“Estamos próximos de um quadro de El Niño extremamente forte, com tendência de consolidação entre setembro e dezembro. Isso significa maior frequência de chuvas, temporais e períodos de instabilidade atmosférica”, afirmou.
Durante a entrevista, Ronaldo Coutinho também criticou a dificuldade dos modelos meteorológicos em representar a intensidade real do fenômeno. Segundo ele, diversas previsões subestimaram os volumes de chuva observados recentemente no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Argentina e Paraná.
“Em vários casos, os modelos indicavam acumulados próximos de 80 milímetros, mas os volumes registrados chegaram a 240 milímetros. Os modelos da NOAA são importantes ferramentas, mas ainda não conseguem captar toda a complexidade climática que estamos observando atualmente”, explicou.
Para o meteorologista, a evolução do El Niño está ocorrendo de forma mais acelerada do que indicavam algumas projeções acadêmicas. Ele ressalta que as observações práticas realizadas em campo confirmam que o fenômeno já está plenamente estabelecido e produzindo impactos significativos na região Sul.
Ao final da entrevista, Coutinho reforçou o alerta para os próximos meses. “A experiência de campo confirma que o El Niño já está em plena atividade e com força considerável no Sul do Brasil. Mantemos a preocupação com a possibilidade de problemas climáticos severos, algo que já vínhamos alertando desde o final do ano passado”, concluiu.
Confira o áudio:
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