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ONDE FOI QUE ERRAMOS?


Só quando a conta chega é que nos damos conta que ela nunca vem pra quem falhou...

Por Rafael Martini
25/07/2026 às 05h00
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Pois meu amigo leitor, como diz a Pantera, mais uma vez o rugido vem de fora. Os Estados Unidos aplicaram mais um tarifaço sobre produtos brasileiros.  Mais um golpe em quem produz, exporta, gera empregos e sustenta boa parte da economia nacional e a pergunta é inevitável: onde foi que erramos?  Erramos quando deixamos de tratar relações internacionais como política de Estado e passamos a tratá-las como palco de disputas ideológicas. Erramos quando imaginamos que discursos inflamados substituem diplomacia. Erramos quando esquecemos que, no comércio internacional, não existe amizade eterna nem inimizade permanente. Existem interesses.

Enquanto outras nações negociam, constroem pontes e ampliam mercados, o Brasil, muitas vezes, prefere colecionar atritos. E quem paga essa conta não é o ministro, não é o diplomata e sim o produtor rural, a indústria, é o trabalhador que vê sua empresa perder competitividade e seus produtos ficarem mais caros lá fora. Mas também seria simplista colocar toda a culpa apenas nas decisões de hoje, pois há décadas o Brasil convive com um custo de produção interna sufocante. Impostos elevados, infraestrutura precária, burocracia interminável, insegurança jurídica. Quando surge uma tarifa extra, ela encontra um país que já corre uma maratona carregando uma mochila de pedras.

O fato é que o mundo não espera quem demora para decidir. O comércio internacional é uma arena onde vence quem negocia melhor, quem transmite confiança e quem oferece estabilidade. Não basta produzir bem. É preciso saber vender, saber dialogar e, principalmente, preservar relações estratégicas. O tarifaço americano é um problema? Sem dúvida. Mas talvez ele seja apenas o sintoma de uma doença maior, a dificuldade que o Brasil tem em construir uma política externa previsível, equilibrada e focada no interesse nacional acima das paixões políticas. No fim das contas, a pergunta continua ecoando. Onde foi que erramos? Talvez a resposta esteja justamente naquilo que esquecemos por tempo demais: governos passam, ideologias mudam, mas os prejuízos para quem trabalha, produz e movimenta a economia permanecem.


Fonte: LAERCIO GRIGOLLO - CONSULTORIA EMPRESARIAL




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