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Justiça

Operação Coluna Sul tem alvos em Concórdia, Lindóia do Sul e Arabutã


Municípios do Alto Uruguai Catarinense estão entre as cidades alcançadas pela investigação do MPSC.

Por Lucas Villiger
20/08/2026 às 14h41
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O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) ajuizou a ação com o maior número de denunciados no contexto de facções criminosas da história da Instituição. Ao todo, *164 pessoas foram denunciadas como supostos integrantes de uma organização criminosa ultraviolenta, em um desdobramento da Operação Coluna Sul, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO).

Entre os municípios alcançados pela investigação estão Concórdia, Lindóia do Sul e Arabutã, colocando novamente o Alto Uruguai Catarinense no foco das ações de combate às organizações criminosas.

A denúncia foi apresentada pela 39ª Promotoria de Justiça da Capital e possui mais de 1.500 páginas, distribuídas em 27 capítulos. Diante da complexidade do caso, o Ministério Público solicitou à Justiça o desmembramento do processo em 23 ações penais, com o objetivo de facilitar a tramitação e permitir a individualização das condutas atribuídas aos denunciados.

164 pessoas foram denunciadas

Segundo o MPSC, os 164 denunciados estariam distribuídos em 12 núcleos organizacionais, de acordo com as funções que supostamente exerciam dentro da estrutura da facção.

A investigação aponta 31 pessoas posicionadas nos níveis superiores de comando, 74 com funções intermediárias relacionadas à coordenação, disciplina ou gestão operacional e outras 60 na base da organização.

Todos os denunciados respondem pela suposta promoção ou integração de uma organização criminosa ultraviolenta, conforme previsto na nova Lei nº 15.358/2026.

Além disso, 21 pessoas também foram denunciadas por tráfico de drogas, enquanto três são acusadas também de comércio ilegal de armas de fogo.

O Ministério Público requereu ainda a fixação de uma indenização mínima de R$ 200 mil por denunciado, a título de reparação pelos danos morais coletivos que teriam sido provocados pelas atividades atribuídas à organização criminosa.

Alvos no Alto Uruguai

A presença de Concórdia, Lindóia do Sul e Arabutã entre os municípios com alvos da operação chama a atenção para a dimensão regional da investigação.

A ofensiva demonstra que as apurações do Ministério Público alcançaram municípios de diferentes portes e que a estrutura investigada teria ramificações também no interior do Estado.

Em Concórdia, a atuação de órgãos de segurança e do Ministério Público no combate às organizações criminosas já vinha sendo registrada em outras investigações. O município também esteve no centro da Operação Mercúrio, que investigou um suposto braço financeiro de uma facção criminosa e a movimentação de recursos relacionados ao tráfico de drogas.

Agora, com a Operação Coluna Sul, Concórdia e os municípios vizinhos de Lindóia do Sul e Arabutã aparecem entre as localidades atingidas pela investigação, reforçando a atenção das autoridades para a atuação de organizações criminosas na região.

Estrutura da facção

Conforme a denúncia, a facção criminosa possui atuação em diferentes regiões do país e mantinha uma estrutura denominada “Coluna Sul”**, responsável pela coordenação das atividades em Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

Segundo o Ministério Público, a organização teria uma rígida divisão de funções e uma hierarquia definida, com setores especializados em recrutamento de integrantes, inclusive adolescentes, comunicação interna, controle disciplinar, administração financeira, logística de armamentos e articulação entre integrantes em liberdade e pessoas custodiadas no sistema prisional.

As investigações identificaram ainda a utilização de grupos de mensagens para transmissão de ordens, compartilhamento de informações estratégicas, cadastramento de integrantes e coordenação das atividades da organização em diferentes regiões.

De acordo com a acusação, integrantes que estavam presos também utilizavam esses canais para manter contato com lideranças externas e participar da gestão das atividades da facção.

Controle de armas e recrutamento de adolescentes

Outro ponto destacado na denúncia é a existência de um suposto sistema próprio de controle de armamentos.

Conforme o MPSC, havia integrantes responsáveis pela aquisição, cadastramento, armazenamento, manutenção e remanejamento de armas de fogo utilizadas pela organização.

A investigação aponta ainda que um integrante seria responsável pela alteração de equipamentos de airsoft para que pudessem ser utilizados como armas de fogo.

O Ministério Público também identificou o suposto recrutamento de adolescentes. Segundo a denúncia, a organização teria adotado uma normativa interna permitindo o chamado “batismo” de integrantes a partir dos 16 anos.

Durante a investigação, foram identificados procedimentos individualizados de ingresso de adolescentes na estrutura criminosa.

Maior operação do GAECO em Santa Catarina

A Operação Coluna Sul foi deflagrada em 1º de julho e é considerada pelo MPSC a maior ação já realizada pelo GAECO em Santa Catarina.

A ofensiva ocorreu simultaneamente em seis estados brasileiros: Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul.

Em Santa Catarina, foram alcançados 30 municípios, com cumprimento de mandados de busca e apreensão e prisões de investigados.

A operação teve como objetivo desarticular uma facção investigada por envolvimento em crimes como tráfico de drogas, associação para o tráfico, homicídios e porte ilegal de armas de fogo.

A investigação teve origem em apurações realizadas na Operação Maserati e contou com apoio de órgãos de segurança pública de diferentes estados.

Investigação segue na Justiça

Com a apresentação da denúncia, o caso passa agora à análise do Poder Judiciário. O Ministério Público busca responsabilizar individualmente os 164 denunciados de acordo com as condutas que teriam sido identificadas durante as investigações.

A presença de Concórdia, Lindóia do Sul e Arabutã entre os municípios com alvos reforça a dimensão regional da Operação Coluna Sul e coloca o Alto Uruguai Catarinense entre as áreas alcançadas pela investigação contra a estrutura da facção.

É importante destacar que os denunciados são apontados pelo Ministério Público como integrantes da organização criminosa, mas a denúncia não representa condenação. Cabe à Justiça analisar as provas, as acusações e a responsabilidade individual de cada investigado, assegurados o contraditório e a ampla defesa.


Fonte: Com informações de Rafael Martini




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