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Agropecuária

Queda no preço do suíno gera preocupação e alerta entre produtores catarinenses


Presidente da ACCS afirma que setor enfrenta uma crise sem precedentes, com 13 reduções no preço.

Por Rafael Martini
26/08/2026 às 10h46
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A suinocultura catarinense enfrenta um cenário de forte preocupação diante das sucessivas quedas no preço pago aos produtores. Segundo o presidente da Associação Catarinense dos Criadores de Suínos (ACCS), Losivanio Luiz de Lorenzi, somente neste ano já foram registradas 13 reduções nos valores, o que representa, em média, uma baixa a cada 17 dias.

Losivanio destaca que a situação tem provocado uma expressiva perda de renda aos produtores. No sistema de integração e cooperativas, o preço médio, que estava em torno de R$ 6,80 por quilo vivo, chegou agora a R$ 4,65. A redução representa uma queda próxima de 31%.

Entre os produtores independentes, o cenário é ainda mais preocupante. De acordo com o presidente da ACCS, o valor, que chegou a R$ 8,50 por quilo vivo, atualmente está em aproximadamente R$ 4,73, uma redução de cerca de 44%.

Para Losivanio, os valores praticados atualmente não são mais suficientes para garantir a sustentabilidade da atividade.

“Não dá para suportar mais esse preço que está hoje na suinocultura”, afirma o presidente da ACCS.

Ele explica que, considerando um suíno comercializado no mercado independente com peso médio de 130 quilos, o produtor acumula uma perda superior a R$ 250 por animal, situação que aumenta a preocupação com a continuidade da atividade e com o futuro das propriedades.

O dirigente afirma que o setor precisa buscar uma união entre os diferentes segmentos da cadeia produtiva. A proposta envolve a Associação Brasileira de Criadores de Suínos e suas entidades estaduais, a Associação Brasileira de Material Genético, indústrias, cooperativas e mini-integradores.

Segundo Losivanio, é necessário estabelecer um maior equilíbrio no mercado para que os produtores possam trabalhar com margem de lucro e evitar novos ciclos de produção desordenada.

A preocupação aumenta diante do crescimento da produção registrado nos últimos anos. Mesmo com o desempenho positivo das exportações brasileiras, o presidente da ACCS avalia que os resultados não estão sendo suficientes para garantir remuneração adequada aos suinocultores.

Conforme os dados apresentados por ele, o Brasil já se aproxima de 800 mil toneladas de carne suína exportadas somente até julho, com um aumento superior a 60 mil toneladas em relação ao mesmo período do ano passado.

Apesar desse desempenho histórico no comércio internacional, Losivanio ressalta que os produtores continuam enfrentando dificuldades financeiras.

“Os suinocultores estão numa miséria, pagando para trabalhar e vendo o seu futuro comprometido, inclusive com o risco de perder a propriedade que construíram ao longo dos anos”, alerta.

O presidente da ACCS defende uma mudança na forma como o setor vem sendo planejado, justamente para evitar que o crescimento da produção volte a ocorrer de maneira desordenada, provocando excesso de oferta e novas quedas nos preços.

Na avaliação de Losivanio, a discussão também precisa envolver a chamada soberania alimentar. Ele critica o discurso de que o Brasil deve priorizar sua posição como grande fornecedor de alimentos para o mercado internacional enquanto os produtores enfrentam dificuldades para manter a própria atividade.

“É hora de todos nós olharmos isso e pensarmos na soberania do nosso povo, na soberania alimentar do nosso povo”, enfatiza.

Para o dirigente, a crise atual exige mobilização de toda a cadeia produtiva e medidas que permitam recuperar a rentabilidade dos suinocultores. A preocupação é que a manutenção dos preços baixos por um período prolongado comprometa investimentos, provoque o fechamento de propriedades e reduza a capacidade de produção no futuro.

A ACCS acompanha o cenário e reforça a necessidade de diálogo entre produtores, entidades representativas, cooperativas, indústrias e demais integrantes da cadeia para buscar alternativas que garantam maior equilíbrio ao mercado e condições de permanência aos suinocultores catarinenses.




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