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Justiça

Justiça mantém condenação de mulher por morte do marido e ocultação de corpo em freezer, em SC


Cláudia Fernanda Tavares permanece presa e cumpre pena de 20 anos e 24 dias.

Por Rafael Martini
06/10/2026 às 06h55
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O Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) manteve a condenação de Cláudia Fernanda Tavares, sentenciada a 20 anos e 24 dias de prisão pela morte do marido, Valdemir Hoeckler, em um caso que ganhou repercussão no Estado. A decisão foi tomada durante a análise de recursos apresentados tanto pela defesa quanto pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC).

Com o resultado, Cláudia permanece presa em regime fechado. Ela foi condenada pelos crimes de homicídio qualificado, por asfixia e por dificultar a defesa da vítima, ocultação de cadáver e falsidade ideológica.
O crime aconteceu em novembro de 2022, em Lacerdópolis, no Meio-Oeste catarinense. Valdemir Hoeckler, que tinha 52 anos e trabalhava como motorista de caminhão, foi encontrado morto dentro de um freezer na residência onde vivia com a esposa. O corpo foi localizado após cinco dias de desaparecimento.

Segundo a denúncia apresentada no processo, Cláudia teria dopado o marido, amarrado seus braços e pernas e provocado sua morte por asfixia utilizando uma sacola. Depois, o corpo teria sido colocado dentro do freezer para ser ocultado.

Na época, Cláudia chegou a registrar um boletim de ocorrência comunicando o desaparecimento do marido e compareceu à delegacia para prestar depoimento na condição de testemunha. Durante as investigações, entretanto, os policiais teriam percebido ferimentos no corpo dela, o que levantou suspeitas e levou ao aprofundamento da apuração.

Cláudia era professora e tinha uma filha com Valdemir. Conforme relatado durante as investigações, ela teria contado que pretendia participar de uma confraternização de fim de ano com colegas de trabalho, em uma pousada, mas teria sido impedida pelo marido.

Recursos foram analisados pelo Tribunal de Justiça

A defesa de Cláudia buscava a anulação do julgamento realizado pelo Tribunal do Júri, alegando irregularidades no processo. O TJSC, porém, entendeu que a decisão dos jurados estava de acordo com as provas apresentadas durante o processo e manteve a condenação.

O julgamento ocorreu em 29 de agosto de 2025, na Câmara de Vereadores de Capinzal, cidade vizinha a Lacerdópolis. Durante a sessão, o freezer utilizado para esconder o corpo foi apresentado como elemento de ilustração do caso.

O Ministério Público também recorreu da sentença, mas com objetivo diferente: a acusação pedia o aumento das penas. O órgão considerou a gravidade do crime, as circunstâncias, as consequências, a personalidade da ré e elementos que, na avaliação da promotoria, apontariam para premeditação e frieza na execução.

O pedido do Ministério Público também foi rejeitado pelo Tribunal. Dessa forma, foi mantida a pena de 20 anos e 24 dias de prisão estabelecida originalmente.

Defesa pretende apresentar novos recursos

Em nota, o advogado Matheus Molin, OAB/SC 66.140, afirmou que a defesa recebeu a decisão com serenidade. Segundo ele, embora a maioria do Tribunal tenha negado o recurso da defesa e também o pedido do Ministério Público para aumentar a pena, houve voto divergente favorável à anulação do julgamento.

A defesa afirma que pretende adotar as medidas recursais cabíveis, buscando que o entendimento pela anulação prevaleça.

Ainda conforme a manifestação, os advogados sustentam que houve ilegalidades na formulação dos quesitos apresentados aos jurados e defendem que Cláudia seja novamente submetida ao Tribunal do Júri.

A defesa também afirma que pretende levar novamente ao julgamento aspectos relacionados ao contexto de violência doméstica apresentado durante o processo.

Enquanto os recursos seguem sendo analisados dentro das possibilidades previstas pela legislação, Cláudia Fernanda Tavares permanece cumprindo a pena em regime fechado.




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