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A dívida histórica de uma geração política que falhou...

Por Rafael Martini
17/10/2026 às 05h00 | Atualizada em 17/10/2026 - 09h16
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A geração política que teve nas mãos a oportunidade de mudar o Brasil para melhor falhou! Não teve capacidade de transformar décadas de protagonismo em um legado à altura das necessidades do país. Uma geração que poderia ter construído um país mais justo, desenvolvido e respeitado permitiu que os interesses particulares e a preservação de espaços se sobrepusessem, tantas vezes, ao compromisso com o futuro. E agora, enquanto novos nomes despontam e conquistam votações expressivas, surge outra pergunta inevitável: por que tantos brasileiros esperam alternativas fora dos círculos tradicionais? Seriam esses novos protagonistas a expressão de uma renovação verdadeira ou o reflexo do cansaço de uma população que já não se reconhece nos velhos discursos.

Enquanto alguns novos nomes conquistam milhares de votos e assumem posições de destaque, parte da geração política que permanece na ativa continua repetindo fórmulas desgastadas, discursos previsíveis e promessas que atravessam décadas sem produzir as transformações esperadas. Há siglas partidárias que parecem ter estacionado no tempo, incapazes de renovar suas lideranças, suas ideias e suas práticas. Em vez de abrir espaço para novas lideranças, muitos grupos parecem tratar os partidos como propriedades particulares, com sucessões cuidadosamente controladas e projetos políticos que se confundem com projetos pessoais. E quando a política se recusa a se renovar, o país fica preso a uma agenda de interesses que já deveria ter sido superada.

Nos últimos trinta anos, o brasileiro trabalhou, pagou impostos, enfrentou crises e depositou esperanças em diferentes projetos políticos, mas o resultado, para milhões de cidadãos é a sensação de que o país poderia ter avançado muito mais. Reformas necessárias continuam sendo adiadas, problemas estruturais atravessam governos e a confiança nas instituições sofre com escândalos e disputas que pouco contribuem para a vida real da população. E há um aspecto ainda mais preocupante: quando a pauta política passa a conviver com suspeitas de corrupção, relações obscuras, infiltração do crime organizado e denúncias que exigem investigação rigorosa, não se pode tratar essa presença do crime na agenda pública como simples detalhe de uma disputa partidária.

Os novos campeões de votos terão a oportunidade de demonstrar se representam uma mudança de verdade ou apenas uma nova versão de velhas práticas. Porque renovar a política não significa simplesmente trocar os rostos, as siglas ou os discursos; significa mudar prioridades, respeitar o dinheiro público, fortalecer as instituições e apresentar resultados concretos à população. Aos que permanecem há décadas no poder, cabe explicar por que tantas oportunidades foram desperdiçadas. Aos que chegam, cabe provar que aprenderam com esses erros. Na política, o maior fracasso não é perder uma eleição. É receber a confiança de uma geração inteira e desperdiçar a oportunidade de preparar um país melhor para a próxima. Isso não é legado, é uma dívida histórica com o Brasil!


Fonte: LAERCIO GRIGOLLO - CONSULTORIA EMPRESARIAL




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