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Pico do El Niño ainda está por vir, mas fenômeno já agrava incêndios florestais e intensifica furacões pelo mundo


No Brasil, historicamente, o fenômeno está associado a chuvas acima da média no Sul do país.

Por Lucas Villiger
21/10/2026 às 14h02
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Uma previsão da NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos), divulgada na última quinta-feira (15), aponta que o El Niño deve alcançar sua maior intensidade entre novembro e dezembro de 2026 e janeiro de 2027. O fenômeno, contudo, já provoca impactos em nível global.

De acordo com a BBC Weather, secas, inundações e ondas de calor já foram registradas desde os primeiros indícios do sistema sobre o Oceano Pacífico Equatorial, nos últimos meses. Na Indonésia, por exemplo, a temporada de incêndios florestais está sendo apontada como a pior desde 2015.

Desde janeiro, ao menos 895.657 hectares de terra foram devastados pelas queimadas no país. Ao todo, cerca de 175 mil pessoas apresentaram problemas respiratórios após serem expostas à fumaça tóxica. Entre os casos, que vão de tosse a bronquite, 40 mil foram diagnosticados em crianças.

El Niño também intensifica registros de furacões e tufões

Conforme indicado pela BBC Weather, já foram registradas 22 tempestades nomeadas e 12 furacões sobre o Pacífico Oriental. O fenômeno tende a intensificar esses eventos durante sua atuação. Em uma temporada comum, esse número é menor, e a temporada atual ainda deve durar ao menos mais dois meses.

Ao mesmo tempo, tufões de grande intensidade já atingiram o leste da China e o Japão, provocando inundações e deslizamentos de terra. A Agência Meteorológica do Japão informou que 10 ciclones tropicais se formaram no Oceano Pacífico Ocidental, o maior número registrado em uma temporada desde 1966.

Agricultura da Índia é ameaçada pela redução das chuvas

Enquanto algumas regiões do planeta sofrem com a intensificação das precipitações, na Índia as chuvas de monção ficaram 13% abaixo da média em razão da atuação do El Niño, segundo o Departamento Meteorológico indiano, o que afeta diretamente a produção agrícola.

O país, contudo, é influenciado por diversos padrões meteorológicos, e o fenômeno no Oceano Pacífico Equatorial pode não ser o único fator a influenciar as estatísticas gerais. Algumas regiões, inclusive, sofrem mais do que outras. O leste e o nordeste da Índia estão 26% mais secos do que a média.

Como o El Niño pode afetar o clima no Brasil?

O fortalecimento do El Niño pode alterar a distribuição das chuvas e influenciar as temperaturas em diferentes regiões brasileiras.

Historicamente, o fenômeno está associado a chuvas acima da média no Sul do país, especialmente durante a primavera.

No Norte e em partes do Nordeste, pode favorecer períodos mais secos, dependendo da época do ano e de outras condições atmosféricas. Entretanto, um El Niño mais intenso não significa, necessariamente, que todas as regiões enfrentarão eventos climáticos extremos.

As projeções divulgadas pela NOAA em 15 de outubro apresentam previsões específicas para os Estados Unidos.

Por isso, isoladamente, elas não permitem determinar onde poderão ocorrer enchentes, estiagens ou temperaturas acima da média no Brasil.


Fonte: ND+




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