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A CAMPANHA DO VAZIO


Dominada pelas fake News e vazia de boas propostas a campanha à presidência virou disputa pessoal.

Por Rafael Martini
24/10/2026 às 05h00 | Atualizada em 24/10/2026 - 12h05
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A campanha eleitoral deste ano para a Presidência da República parece ter sido construída à imagem e semelhança do Brasil dos últimos anos: instável, inconsistente, contaminada por suspeitas e marcada por práticas que colocam em dúvida a qualidade desse nosso dito processo democrático. Em vez de apresentar caminhos seguros para o futuro, boa parte da disputa se transformou em um espetáculo de contradições, acusações e promessas que parecem ter prazo de validade menor do que o próprio horário eleitoral. Oque deveria ser o espaço das grandes ideias e das soluções para os problemas nacionais, acabou, mais uma vez, prisioneira de seus próprios vícios.

E se o primeiro turno ainda permitiu alguma diversidade de propostas e discursos, o segundo turno escancarou uma realidade preocupante: o eleitor passou a assistir a uma sucessão de agressões pessoais, ataques calculados e tentativas de desqualificar o adversário. Discutir saúde, educação, segurança pública, economia, endividamento das famílias e o futuro dos jovens parece ter ficado fora dos planos. O debate sobre o Brasil foi substituído pelo debate sobre quem é pior, quem aprontou mais, quem esconde mais e quem mais deve ser temido. É uma pobreza política assustadora, porque, quando os candidatos gastam mais energia tentando destruir a imagem do adversário do que apresentando soluções, quem perde não é apenas um candidato. É o próprio país.

E nesse ambiente, as fake news, as informações distorcidas e as narrativas convenientes ganharam espaço, transformando a disputa eleitoral numa guerra pela percepção, na qual muitas vezes importa menos a verdade do que a capacidade de convencer. A irregularidade de condutas, quando comprovada, precisa ser apurada e responsabilizada, independentemente de quem seja o beneficiado. Democracia não combina com manipulação, abuso ou desinformação, mas também não combina com julgamentos antecipados e condenações sem provas. O problema é que, enquanto os grupos políticos disputam o controle da narrativa, o cidadão fica perdido no meio de versões conflitantes, tentando descobrir onde termina o fato e começa a propaganda. E uma sociedade que já não sabe em quem acreditar se torna terreno fértil para o descrédito e para o oportunismo.

No fim das contas, fica uma pergunta incômoda: é esse o nível de política que o Brasil merece ou é o nível de política que permitimos que se estabelecesse? Porque eleições não deveriam ser campeonatos de ódio, disputas de vaidade ou batalhas para decidir quem consegue desmoralizar o outro com mais eficiência. Deveriam ser oportunidades para comparar projetos, cobrar resultados e escolher quem está mais preparado para governar. Se, depois de tanta experiência democrática, ainda chegamos ao segundo turno discutindo mais ataques do que propostas, talvez o problema não esteja apenas nos candidatos, mas também em um sistema que recompensa o conflito e pune a sensatez.

A verdade é que precisamos de menos espetáculo, menos manipulação e menos políticos preocupados em vencer a qualquer custo. Precisamos, sobretudo, de lideranças capazes de entender que ganhar uma eleição é uma coisa; estar à altura do país que se pretende governar é outra, completamente diferente.


Fonte: LAERCIO GRIGOLLO - CONSULTORIA EMPRESARIAL




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