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Agropecuária

Nova rota de importação de milho do Paraguai pode reduzir custos para o Sul do Brasil


Projeto prevê redução de quase 300 quilômetros no transporte até Chapecó.

Por Rafael Martini
03/11/2026 às 10h11
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Uma nova rota para a importação de milho do Paraguai pode reduzir os custos de transporte e ampliar a competitividade da cadeia de produção de proteína animal no Sul do Brasil. O projeto prevê a travessia de cargas por balsa até a Argentina e a entrada no território brasileiro por Dionísio Cerqueira, no Extremo-Oeste de Santa Catarina.

A avaliação é do presidente da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), Losivanio Luiz de Lorenzi, que falou sobre o projeto durante entrevista à Agrimídia, na AveSui 2026, realizada em Cascavel, no Paraná.

Segundo Losivanio, a busca por uma alternativa à rota tradicional começou em 2017. Atualmente, grande parte do milho paraguaio destinado ao Sul do Brasil passa pela região de Foz do Iguaçu, utilizando a Ponte da Amizade, o que provoca congestionamentos e eleva os custos logísticos.

O novo projeto prevê a utilização de um porto localizado em Carlos Antonio López, no Paraguai, município com forte produção de grãos. A partir dali, as cargas serão transportadas por balsa pelo Rio Paraná até o Porto de Eldorado, na Argentina. O terminal argentino também deverá passar por ampliações antes do início da operação.

Com a nova alternativa, a distância até Chapecó deverá cair para aproximadamente 400 quilômetros, contra quase 700 quilômetros pelo trajeto atualmente utilizado.

“Sabemos que o custo de importação é muito grande quando é rodoviário, e assim vai ter um benefício a mais para os produtores, agroindústrias e cooperativas”, destacou Losivanio.

Redução de custos é estratégica para a suinocultura

Para o presidente da ACCS, a redução dos custos de produção e logística é fundamental para que o Brasil mantenha a competitividade no mercado internacional de carnes.

Losivanio lembra que cerca de 27% da produção é destinada à exportação e que o Brasil possui reconhecimento internacional pela qualidade sanitária e pelos sistemas de biosseguridade. No entanto, segundo ele, é necessário avançar também na redução dos custos para garantir a permanência do produto brasileiro nos mercados internacionais.

“Para continuarmos com essa competência de exportação, precisamos também ter um custo menor”, afirmou.

A redução dos custos também pode beneficiar diretamente o consumidor brasileiro. O dirigente observa que o poder de compra da população está pressionado e que uma logística mais eficiente pode contribuir para tornar a carne suína mais acessível.

“Hoje o poder de compra está muito baixo, e precisamos fazer com que ele também tenha acesso a uma carne mais barata, de excelente qualidade, como é a da nossa suinocultura.”

Projeto pode se transformar em Rota da Integração

Inicialmente denominado “Ruta del Maíz”, o projeto poderá ganhar um novo conceito. Losivanio defende que a iniciativa seja chamada de Rota da Integração e Desenvolvimento, já que a estrutura poderá ser utilizada não apenas para a entrada de milho no Brasil, mas também para o escoamento de produtos e futuras exportações.

A possibilidade inclui conexões com mercados internacionais, inclusive na Ásia, por meio de integração com a chamada Rota Bioceânica.

No Paraguai, está prevista a implantação de uma aduana integrada. No Brasil, a fiscalização das cargas deverá ser concentrada em Dionísio Cerqueira. Já na Argentina, onde os produtos estarão apenas em trânsito, os procedimentos estão liberados.

A operação deverá começar com uma balsa de bandeira paraguaia e argentina, com capacidade estimada para transportar o equivalente a cerca de 120 caminhões por dia.

A expectativa é ampliar a quantidade de embarcações conforme a demanda.

“Se precisar de duas, três, quatro, cinco balsas, vai ter, porque o investidor quer realmente que o fluxo aconteça”, afirmou o presidente da ACCS.

Paraguai também poderá utilizar portos catarinenses

Outra possibilidade em negociação é a utilização dos portos de Santa Catarina para a exportação de produtos paraguaios. As tratativas estão sendo realizadas entre o governo do Paraguai e o governo catarinense.

A expectativa é de que os portos envolvidos no Paraguai e na Argentina estejam preparados para a operação, no mais tardar, no início de 2027.

Nova rota pode aliviar congestionamentos na Ponte da Amizade

Um dos principais objetivos do projeto é também reduzir a pressão sobre a infraestrutura existente na região de Foz do Iguaçu.

Losivanio relata que, durante uma visita recente a Assunção, no Paraguai, encontrou uma fila de aproximadamente 17 quilômetros de caminhões, ainda em território paraguaio, aguardando para entrar no Brasil pela Ponte da Amizade.

Diante do problema, o ministro paraguaio Riquelme solicitou apoio da ACCS para levantar informações sobre os municípios de origem do milho exportado pelo Paraguai. A intenção é utilizar esses dados para distribuir o fluxo de cargas entre diferentes portos, pontes e rodovias.

A medida busca evitar a concentração do transporte em um único ponto e reduzir os gargalos logísticos na ligação entre Paraguai e Brasil.

Nova rota pode estimular desenvolvimento regional

Além da redução dos custos de transporte, Losivanio acredita que a nova rota deverá provocar impactos econômicos nas cidades localizadas ao longo do trajeto.

A expectativa é de crescimento na demanda por serviços como oficinas mecânicas, borracharias, hotéis, restaurantes, postos de combustíveis e outros estabelecimentos ligados ao transporte rodoviário.
O presidente da ACCS acredita que a transformação poderá ser significativa nos próximos anos, especialmente no lado argentino, onde muitas comunidades dependem atualmente de atividades como a produção de erva-mate e o reflorestamento.

“Tenho toda a convicção de que, nos próximos cinco anos, vai mudar toda a realidade daquela região”, projetou.

Segundo Losivanio, já existem indústrias interessadas em se instalar nas proximidades da nova rota. Também estão sendo discutidas, com o governo argentino, condições de segurança para que produtores brasileiros possam estabelecer parcerias destinadas ao cultivo de milho, trigo e sorgo.

Os três produtos são estratégicos para a cadeia de produção de proteína animal, especialmente para a alimentação de suínos.

A expectativa, portanto, é de que a nova ligação entre Paraguai, Argentina e Santa Catarina vá além de uma alternativa logística para o transporte de milho e se transforme em um novo corredor de integração comercial e desenvolvimento econômico para o Sul do Brasil.


Fonte: Com informações do Portal Suinocultura Industrial.




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