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Ministério Público articula preservação de sítio histórico ligado à Guerra do Contestado


Rádio Rural resgatou a história de José Fabrício das Neves, que marcou o nascimento de Concórdia.

Por Rafael Martini
20/02/2026 às 08h22 | Atualizada em 20/02/2026 - 08h47
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Nesta quinta-feira (12/2), integrantes do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) alinharam os próximos passos que norteiam a preservação de um sítio histórico localizado em Vargem Bonita, no Oeste catarinense. No local encontra-se um cemitério onde está enterrado José Fabrício das Neves, homem que teve papel de liderança na Guerra do Contestado. O objetivo do MPSC é ser um articulador entre as instituições envolvidas para, dessa forma, colaborar com a preservação do local, que mantém viva parte da história de formação do estado.

A Procuradora-Geral de Justiça, Vanessa Wendhausen Cavallazzi, destacou que “as consequências da Guerra do Contestado reverberam, de certa forma, até hoje. Os nossos municípios que possuem os Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) mais baixos ficam justamente na área do contestado, que se estende da Serra até o Meio-Oeste”. “Essa característica traça um paralelo com o nosso papel de transformador social e dialoga, inclusive, com o resgate e preservação do patrimônio histórico de Santa Catarina”, complementa.

A iniciativa de articular a preservação do espaço junto ao MPSC partiu do Procurador de Justiça Américo Bigaton, que foi consultado pelo radialista Cezar Luiz Pichetti. O profissional da comunicação, por sua vez, atendeu a um chamado de Agnel Luiz Kufner, cidadão local que estava pesquisando o assunto. A partir dessa conversa prévia, o membro do MPSC enviou um ofício com a proposta para a Procuradoria-Geral de Justiça. “O cemitério possui um grande valor histórico, é um fragmento da nossa história que resistiu a passagem do tempo. A articulação que estou propondo busca justamente valorizar o acontecimento e, em especial, a figura do José Fabrício das Neves”, disse. 

Grupo que auxilou o programa da Rádio Rural a resgatar a hisória do caboclo que ajudou a marcar o nascimento e o nome de "Concórdia" - FOTO: Produção do Programa, Show do Cezar Luiz

Atualmente o cemitério integra o terreno de uma empresa privada, que já sinalizou o interesse em doar parte do terreno para a administração municipal de Vargem Bonita. A partir de agora, a Promotoria de Justiça da Comarca de Catanduvas irá estudar o caso e, possivelmente, propor a criação de um acordo que viabilize a preservação do espaço.

O próximo passo da articulação é uma reunião em que pesquisadores da área serão convidados a colaborar com a iniciativa. Posteriormente, o MPSC irá marcar outro encontro com os demais atores envolvidos.
Também participaram da reunião o Diretor do Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional, Promotor de Justiça Stefano Garcia da Silveira, a Assessora da Subprocuradoria-Geral de Justiça para Assuntos Institucionais, Promotora de Justiça Helen Crystine Corrêa Sanches, a Promotora de Justiça Raquel Marramon da Silveira, o Promotor de Justiça Diego Bertoldi e a servidora do Setor do Memorial Priscila Melina Finardi.

Contexto histórico

A Guerra do Contestado (1912-1916) foi motivada pela disputa de territórios na fronteira entre Santa Catarina e Paraná. Na ocasião, a construção da ferrovia que ligaria o estado de São Paulo ao Rio Grande do Sul seria parcialmente paga pelo governo brasileiro por meio da cessão de 15 quilômetros de terras de cada lado do trilho do trem para a companhia responsável pela obra. Entretanto, esses espaços estavam previamente ocupados pela população, que foi expulsa. A partir de então instalou-se a luta armada, em um contexto em que já havia a disputa territorial entre os estados vizinhos. Os rebeldes enfrentaram forças policiais e militares dos dois estados e do Exército. Depois de quatro anos e cerca de 10 mil mortos, a guerra terminou com a assinatura do acordo que estabeleceu os limites entre Santa Catarina e Paraná.

Nesse cenário, José Fabrício das Neves foi visto como uma das lideranças dos rebeldes. Após o fim da guerra ele passou a atuar como um representante informal da empresa responsável pela demarcação de terras da companhia. O homem realizava os contatos e auxiliava a compra e venda de terrenos. Por meio de um desses contatos tornou-se possível demarcar as terras de “Queimados”, que posteriormente receberam o nome de Concórdia. O nome foi mantido inclusive depois do território ser elevado a município.


Fonte: Com informações do Ministério Público de Santa Catarina




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